Internet 5G

Leilão do 5G inicia nesta quinta, 4. Veja as principais informações acerca dessa nova tecnologia

Objetivo da iniciativa é melhorar as deficiências de infraestrutura no país

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Nesta quinta-feira, 4, terá início o leilão do 5G, aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em setembro. O objetivo da iniciativa é melhorar as deficiências de infraestrutura no país.

De acordo com a Anatel espera-se a movimentação de R$49,7 bilhões com o leilão do 5G. Desse total, cerca de R$39,1 bilhões deverão ser destinados às obrigações de investimentos pelas empresas vencedoras. Já os outros R$ 10,6 bilhões, correspondem ao valor de arrecadação para a União.

Apesar de já estar em pauta há algum tempo, o 5G ainda é um assunto que gera muitas dúvidas. A começar por o que seria essa tecnologia. Confira as principais informações sobre o 5G:

O que é e como funciona o 5G?

O 5G é o mais recente padrão tecnológico para serviços móveis, que chega como uma atualização da atual conexão 4G. Ou seja, essa tecnologia, diferentemente das gerações passadas (2G, 3G e 4G), tem como foco o incremento de taxas de transmissão e a especificação de serviços que permitam o atendimento a diferentes aplicações.

Assim, a principal expectativa é de que o 5G possa concretizar conceitos como os de Internet das Coisas (IoT) e aprendizagem de máquina em tempo real. De acordo com a Anatel, entre os avanços esperados para o 5G estão:

  • Aumento das taxas de transmissão – maior velocidade;
  • Baixa latência – tempo mínimo entre o estímulo e a resposta da rede de telecom;
  • Maior densidade de conexões – quantidade de dispositivos conectados em uma determinada área;
  • Maior eficiência espectral – quantidade de dados transmitidos por faixa de espectro eletromagnético;
  • Maior eficiência energética dos equipamentos – economia e sustentabilidade.

Além disso, a tecnologia 5G é flexível e se adapta de acordo com a aplicação utilizada. O 5G ainda contará com o chamado network slicing ou “fatiamento da rede”, que permite adaptar as características da rede conforme a necessidade.

Por exemplo, vídeos de alta resolução (como 4K) costumam exigir larguras de banda extremamente altas. Mas as aplicações como carros autônomos ou cirurgias assistidas devem demandar latências mais baixas.

Por fim, a tecnologia de quinta geração promete massificar e diversificar a Internet das Coisas (IoT). Diversos setores serão benefciciados, como Segurança Pública, Telemedicina, Educação, Mobilidade Urbana, Automação Industrial e Agrícola, entre outros.

O que e quais são as faixas do 5G?

O 5G opera em frequências, que são chamadas faixas do 5G. Esse é o objeto do leilão realizado pelo governo brasileiro, que permitirá às operadoras oferecerem essa conexão.

Ao comprar uma faixa, a empresa que a adquiriu terá direito de fazer a exploração econômica (oferecendo conexão para as pessoas por exemplo). No entanto, deverá cumprir com obrigações previstas pela Anatel.

Serão leiloadas as faixas de frequência em quatro bandas: 700 MHz; 2,3 GHz; 3,5 GHz e 26 GH. Entre as principais estão:

  • 3,5 GHz, que vão permitir conexões rápidas em longo alcance;
  • 26 GHz, chamada de faixa milimétrica, vai permitir as aplicações com tempo mínimo de resposta, mas que exige a instalação de mais antenas por ter um alcance de sinal limitado.
5G chegará com a promessa de melhorar sistemas de comunicação e acesso à internet (Foto: Digital Day Congresso Nacional/Agência Brasil)

Entenda as regras para implementação das faixas

Para explorar as faixas do 5G, as empresas devem cumprir algumas definições estabelecidas pelo governo. Veja quais são:

Faixa de 700 MHz

  • Rodovias federais e localidades sem 4G
  • Localidades sem 4G e rodovias federais

Faixa de 3,5 GHz

  • Instalação de rede de transporte (backhaul de fibra ótica) em municípios (conforme anexo publicado pelo governo).
    Instalar Estações Rádio Base (ERBs) que permitam a oferta do Serviço Móvel Pessoal (SMP, a telefonia móvel) por meio de padrão tecnológico igual ou superior ao 5G NR release 16 do 3GPP, na proporção mínima de uma estação para cada dez mil habitantes.
    Ressarcir as soluções para os problemas de interferência prejudicial na recepção do sinal de televisão aberta e gratuita, transmitidos na Banda C, à população efetivamente afetada, nos termos da Portaria nº 1.924/SEI-MCOM/2021, do Ministério das Comunicações;
  • Implantação do Programa Amazônia Integrada e Sustentável (PAIS) e do projeto Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal.

Faixa de 2,3 GHz

  • Cobrir com 95% da área urbana dos municípios sem 4G.

Faixa de 26 GHz

  • Projetos de conectividade de escolas públicas de educação básica, com a qualidade e velocidade necessárias para o uso pedagógico das TICs nas atividades educacionais regulamentadas pela Política de Inovação Educação Conectada;
  • Projetos de conectividade de escolas públicas de educação básica, com a qualidade e velocidade necessárias para o uso pedagógico das TICs nas atividades educacionais regulamentadas pela Política de Inovação Educação Conectada.

O 4G vai acabar?

Segundo a Anatel, as redes 4G ainda cumprirão um papel fundamental para o acesso à banda larga móvel no Brasil. Essa conexão será importante para alimentar redes com alta capacidade, que podem operar com larguras de faixa menores e áreas de cobertura maiores do que aquelas previstas para redes 5G.

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O quanto o 5G é melhor que o 4G?

Segundo informações do relatório da consultoria OpenSignal, a média da velocidade 4G no Brasil entre as quatro maiores operadoras é de 17,1 Mbps (megabits por segundo). A pesquisa foi publicada em maio deste ano.

O valor pode variar de acordo com a região, com a prestadora do serviço e até mesmo por conta do horário em que uma pessoa acessa a rede.

O G1 conversou com Leonardo Capdeville, chefe de inovação tecnológica da TIM. Conforme explicou o especialista, uma conexão 4G com excelente performance chega a próximo 100 Mbps.

Já o 5G, pode chegar à velocidade entre 1 e 10 Gbps, ou seja, uma diferença de 100 vezes ou mais em relação ao 4G.

“Se fizermos uma analogia com o mundo real, 100 vezes mais rápido é a diferença de velocidade entre um ciclista de alta perfomance e um caça de guerra”, explicou o especialista em entrevista ao G1.

Na prática, nem sempre o 5G vai atingir as velocidades absolutas. Mas, a nova tecnologia pode apresenta uma melhora significativa em relação à geração anterior.

Com o 5G será mais fácil lidar com mais dispositivos ligados ao mesmo tempo. A conexão também será mais confiável, pois um aparelho poderá se conectar com mais de uma antena ao mesmo tempo.

Leilão que inicia nesta quinta prevê regras para implementação do 5G pelas operadoras (Foto: Câmara dos Deputados)

Quanto tempo levará para o 5G ser implementado?

Fontes ouvidas pelo G1 analisam que ainda será preciso um tempo de 2 a 4 anos depois do leilão, para que o 5G esteja disponível nos bairros das maiores cidades do país.

Conforme divulgou a Anatel, a tecnologia deve funcionar nas 26 capitais do Brasil e no Distrito Federal em julho de 2022. No entanto, a disponibilização deve ocorrer de forma gradual.

Já para todas as cidades do Brasil com mais de 30 mil habitantes, o prazo de implantação é julho de 2029. Além disso, após o leilão iniciado nesta quinta, as operadoras vencedoras, que serão habilitadas para explorar a tecnologia, precisarão investir em infraestrutura para oferecer a conexão, como instalação de fibras ópticas.

A Anatel ainda prevê a instalação de mais estações rádio base (ERB) – ou antenas – nas cidades, com o passar do tempo. Assim, o objetivo é garantir a cobertura de sinal 5G.

Veja o cronograma elaborado pela Anatel para implementação da tecnologia 5G

  • 31 de julho de 2022: capitais e Distrito Federal tendo uma ERB a cada 100 mil habitantes
  • 31 de julho de 2023: capitais e Distrito Federal tendo uma ERB a cada 50 mil habitantes
  • 31 de julho de 2024: capitais e Distrito Federal tendo uma ERB a cada 30 mil habitantes
  • 31 de julho de 2025: capitais e Distrito Federal e cidades com mais de 500 mil habitantes tendo uma ERB a cada 10 mil habitantes
  • 31 de julho de 2026: cidades com mais de 200 mil habitantes tendo uma ERB a cada 15 mil habitantes
  • 31 de julho de 2027: cidades com mais de 100 mil habitantes tendo uma ERB a cada 15 mil habitantes
  • 31 de julho de 2028: pelo menos 50% das cidades com mais de 30 mil habitantes tendo uma ERB a cada 15 mil habitantes
  • 31 de julho de 2029: todas as cidades com mais de 30 mil habitantes tendo uma ERB a cada 15 mil habitantes

Já para os municípios com até 30 mil habitantes, a Anatel determina a instalação de até cinco estações rádio base, conforme o tamanho da população. Veja o cronograma:

  • 31 de dezembro de 2026: 30% dos municípios com até 30 mil habitantes
  • 31 de dezembro de 2027: 60% dos municípios com até 30 mil habitantes
  • 31 de dezembro de 2028: 90% dos municípios com até 30 mil habitantes
  • 31 de dezembro de 2029: 100% dos municípios com até 30 mil habitantes

Como funcionará para o consumidor?

Para ter acesso ao 5G, será preciso ter um celular compatível com a tecnologia 5G. Modelos como o iPhone 13 e o Galaxy S21, por exemplo, já estão habilitados para uma conexão 5G. Outras opções com faixas de preço menores são o Samsung Galaxy A32 5G e Motorola moto g 50 5G.

Ainda não há informações sobre quanto custará a disponibilização dessa tecnologia para o consumidor final. Mas, cabe ressaltar que o acesso ao 5G deve ser mais restrito no início, por conta da cobertura menor, primeiramente centrada nas capitais, e a compatibilidade com poucos celulares.

Também vale destacar que a tecnologia não deve substituir a internet fixa, mas funcionará como um complemento.

“Para o 5G oferecer a velocidade, é preciso também chegar com a fibra óptica na antena”, explicou Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria de telecomunicações, ao G1.

De acordo com Tude, a internet fixa vai melhorar independentemente do 5G. A necessidade de se instalar mais cabos de fibra óptica nas cidades pode acelerar toda a infraestrutura.

O que as empresas anunciam atualmente como 5G?

Você já deve ter notado que algumas operadoras já fazem propagandas sobre o 5G. Mas, esse ainda não é o 5G “puro”.

O que é oferecido atualmente é a tecnologia 5G DSS, ou seja, uma espécie de transição entre a quarta e a quinta geração da rede.

“Essa conexão vai ser importante no conceito futuro da rede 5G, quando a cobertura ainda for restrita. Às vezes você estará em uma região onde você não tem a cobertura total da quinta geração, mas você tem o 5G DSS que ajuda nessa continuidade de conexão”, explicou ao G1 Leonardo Capdeville, da TIM.

*Com informações da Anatel e do G1*


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